13 de nov. de 2008

Atlético-MG goleia e deixa Vasco novamente com a corda no pescoço


Rodrigo Paradella – rparadella@jsports.com.br


Sem conseguir se encontrar na partida, o Vasco foi goleado por 4 a 1 pelo Atlético-MG, no Mineirão. Com a derrota, o Vasco, apesar de ter escapado da devolução dos 6 a 1 do primeiro turno, ficou ainda com a corda ainda mais apertada em seu pescoço, apesar de ainda respirar no campeonato. Por enquanto, na décima quinta posição, o Vasco ainda se encontra fora da zona de rebaixamento, mas, ainda com a 35° rodada toda para acontecer, o clube carioca corre sérios riscos de voltar para a zona da degola ainda neste fim-de-semana.

O Atlético-MG, por sua vez, está ainda mais tranqüilo no campeonato e agora, com 47 pontos, e na décima colocação, entra de vez na briga por uma das vagas da Copa Sul-Americana de 2009. 

O Jogo 

A partida começou com o Galo surpreendendo, buscando jogo com vontade e dominando as primeiras ações ofensivas da partida. O Vasco produzia pouco e mal passava da linha de meio campo. 

Com pouco mais de um minuto de jogo, Marques fez bom lançamento e deixou Renan Oliveira na cara do gol, mas Rodrigo Antônio apareceu para limpar o lance e devolver a tranqüilidade para o time vascaíno. 

Depois de 10 minutos de jogo, o Atlético continuava dominando todas as ações quando, após receber cruzamento rasteiro de Renan Oliveira depois de boa tabela com Marques, Castillo apenas completou, sem goleiro, para o fundo da rede. Um a zero para o Galo, que marcou antes do Vasco dar o seu primeiro chute na partida, sinal do amplo domínio do time mineiro. 

O primeiro chute do Vasco mostrou bem a falta de eficiência do time na primeira metade da primeira etapa. Já aos 20 minutos de jogo, Mateus chutou da intermediária para longe, muito longe. 

Sem ter feito sequer uma defesa, o goleiro Juninho deixou a partida, contundido aos 28 minutos. Coube a Édson, o goleiro reserva, a responsabilidade de manter o ataque vascaíno como estava: no zero. 

Mas o goleiro do Galo nem havia tocado na bola quando seu time marcou novamente e ampliou a vantagem. Após belíssima jogada, Renan Oliveira, que já havia dado o passe para o gol do colombiano Castillo, tocou com categoria para fazer, aos 31 minutos, o segundo gol do time de Minas. Dois a zero, e a corda começava a apertar novamente no pescoço do time vascaíno. 

O primeiro lance de perigo do time carioca só aconteceria aos 38 minutos, quando Leandro Amaral girou dentro da área, bateu cruzado e viu Edmundo e Rodrigo Antônio, com o gol vazio, tentarem alcançar a bola, sem sucesso. O time subiu de produção e, cinco minutos depois, Wagner Diniz invadiu a área pela direita e cruzou por baixo para Edmundo que bateu de primeira, mas foi atrapalhado pelo zagueiro, que interceptou a bola e afastou a melhor jogada criada pela equipe cruzmaltina no primeiro tempo 

O Vasco tentava iniciar uma pressão quando, depois de saída atrapalhada de Édson, que espalmou nos seus pés, Leandro Amaral raspou na bola e desperdiçou boa oportunidade. Mesmo oferecendo espaços para o contra-ataque, já que, com a troca realizada por Renato Gaúcho no intervalo (Leandro Bonfim no lugar de Eduardo Luiz), jogava com apenas dois zagueiros, o Vasco melhorou exponencialmente sua presença no campo ofensivo, dominando a partida no começo do segundo tempo. 

Mas o domínio do time carioca não durou muito. Aos 13 minutos, o Atlético já reequilibrava as ações e, após surgir na cara do gol, o colombiano Castillo, autor do primeiro gol, foi derrubado pelo goleiro Rafael. Pênalti. Leandro Almeida cobrou no canto direito e ampliou. Três a zero e o ar começava a faltar de novo para o Vasco, recém saído da zona de rebaixamento. O ar ficou ainda mais escasso quando, quatro minutos depois, empurrado pela torcida, Pedro Paulo sofreu novo pênalti para Leandro Almeida bater. O meia bateu novamente no canto direito e transformou o placar em goleada. 

Depois do gol atleticano, a partida ficou movimentada e o Vasco começou a correr atrás do prejuízo. Aos 23 minutos, seis minutos depois do quarto gol atleticano, Mádson bateu falta para o meio da área e, em saída atabalhoada do goleiro reserva Édson que mal havia tocado na bola, Odvan resvalou na bola, que entrou no cantinho esquerdo do gol. Quatro a um. A falha de Édson dava um pouco mais de ar para o Vasco respirar enquanto tentava uma milagrosa reação. 

O pulmão vascaíno era forte. Mesmo já sentindo a vitória escapar e a corda do rebaixamento apertar em seu pescoço, a equipe carioca usava todo o ar que ainda tinha para tentar o milagre. Nada feito. Aos 46, outro aperto na corda. Leandro Amaral, mesmo com paradinha, desperdiçou pênalti a favor da equipe da Cruz de Malta. 

O Vasco enfrentava uma equipe igualmente comprometida e que, com o apoio de sua torcida que lotou o Mineirão, tentava apertar ainda mais a corda que sufocava o Vasco em busca da revanche pela humilhante goleada sofrida em São Jánuario (6 a 1, Vasco) no primeiro turno do campeonato.

O placar não foi igualado, mas a vingança veio contundente. Com o placar de 4 a 1, o Atlético, como um carrasco, apertou ainda mais a corda da Série B no pescoço vascaíno, cada vez com mais dificuldades para respirar no Campeonato Brasileiro de 2008.

Foto: FolhaPress

9 de nov. de 2008

Vitória para sonhar

Rodrigo Paradella - rparadella@jsports.com.br

Em clássico morno pelo Campeonato Brasileiro, o Flamengo venceu o Botafogo por 1 a 0 com gol de pênalti de Kléberson e ainda segue com chances de Libertadores, já que o título parece mais distante da Gávea depois da vitória do líder São Paulo na rodada. Com a êxito no Maracanã, o rubro-negro segue na 5° posição com 60 pontos, mas conseguiu se aproximar dos adversários pela vaga. Já o Botafogo caiu para a 8° posição, com 49 pontos, e segue apenas cumprindo tabela no campeonato.


A partida prometia ser disputada, quando, com menos de um minuto de jogo, Jorge Henrique foi derrubado na área por Bruno, mas o árbitro Marcelo de Lima Henrique não marcou o pênalti.

Apesar do lance, o jogo começou morno, mesmo com a marcação pressão que o Flamengo tentava exercer sobre a saída de bola alvinegra. O time da Gávea precisava da vitória, mas não conseguia demonstrar a mesma garra de outras partidas no Maracanã.

Enquanto o Flamengo tentava explorar – sem sucesso - jogadas de velocidade pelas laterais com Luizinho, Juan e Maxi, o Botafogo afunilava demais pelo meio, esbarrando sempre na boa defesa rubro-negra.

O Flamengo só pareceu ameaçar a meta alvinegra aos 18 minutos, quando Marcelinho Paraíba experimentou de fora da área e assustou Renan.

Porém, apesar das tentativas rubro-negras, o primeiro grande lance de perigo do clássico surgiu dos pés alvinegros. Aos 20 minutos, Triguinho pegou a sobra na entrada da área e bateu com violência para uma bela defesa de Bruno.

As grandes jogadas continuavam escassas na partida, quando, aos 34 minutos, em falta na intermediária, Juan levantou a bola na área e Ronaldo Angelim cabeceou no centro do gol para Renan agarrar com tranqüilidade.

No final do primeiro tempo, depois de confusão da zaga rubro-negra, Túlio ganhou no alto e tocou de cabeça para Fábio que, já dentro da área, encheu o pé, mas acabou esbarrando na boa defesa de Bruno.

O segundo tempo começou do mesmo jeito que o primeiro, pouco acontecia. As duas equipes não jogavam bem, mas o Flamengo ainda era um pouco superior. Mesmo assim, somente aos 14 minutos o Flamengo conseguiu ameaçar a meta alvinegra. Marcelinho Paraíba cobrou falta, da intermediária, direto para o gol, assustando Renan e a torcida botafoguense, com a bola passando rente ao travessão. Dois minutos depois, Josiel recebeu bom passe, mas não conseguiu dominar a bola. O rubro-negro chegou outra vez com Ibson, que cabeceou sozinho dentro da área, após cobrança de escanteio.

O Botafogo só voltou a ameaçar em bom chute de Carlos Alberto, aos 24, que Bruno espalmou para fora. Mas a maior oportunidade até aquele momento surgiu mesmo com o time rubro-negro, aos 28 minutos. Depois de bola cruzada por Juan pela esquerda, Ibson e Josiel furaram e desperdiçaram grande oportunidade na cara do gol alvinegro. Pouco depois o time da Gávea ainda levou perigo em mais uma bola alçada na área com boa cabeçada de Fábio Luciano.

A superioridade rubro-negra continuava, quando, após bom passe de Kléberson, que havia acabado de entrar, Ibson foi derrubado por Renan e o árbitro Marcelo de Lima Henrique marcou pênalti. O próprio Kléberson cobrou mal, mas Renan não alcançou. O Flamengo conseguia a vantagem já no final da partida, aos 39 do segundo tempo.

8 de nov. de 2008

Caldeirão Abençoado

Rodrigo Paradella - rparadella@jsports.com.br

Não seriam os santos que se oporiam a um time que teve fé na vitória até o fim da partida. Com disposição de sobra, o Vasco conseguiu se aproveitar do apoio da torcida e venceu o Santos por 1 a 0, depois de quase três meses sem ganhar em São Januário. Com o resultado o time da cruz de malta sobe, provisoriamente, para a 15° posição e sai da zona de rebaixamento, além de deixar o Santos novamente ameaçado de queda para a Série B. O time santista, que parecia já fora de perigo, permanece com 40 pontos, apenas três mais que os 37 que tem o time carioca.


O Vasco começou com vontade, empurrado pela torcida que lotou São Januário. Em apenas dois minutos de jogo, o time da cruz de malta encaixou jogada de velocidade, Alex Teixeira conseguiu entrar na área pela direita, mas teve o cruzamento cortado por Fábio Costa. 

O lado direito era o ponto forte do Vasco que sempre tentava lances na velocidade de Wagner Diniz, Alex Teixeira e Mádson. Já o Santos, chegava pouco, apenas com chutes de fora da área que não levavam perigo ao gol de Rafael.

Mas, em bola lançada, o defensor vascaíno afastou mal e a bola sobrou para Kleber Pereira no canto direito da área. Sem ângulo, o artilheiro cruzou fechado e a bola quase entra, parando somente na trave esquerda do goleiro Rafael. Era o primeiro bom lance santista em 10 minutos de jogo.

Porém, a pressão vascaína continuava. Dois minutos depois, mais uma vez pela direita, Mádson cruzou na medida para Leandro Amaral que recebeu e chutou de primeira para uma defesa incrível de Fábio Costa 

Aos 15, outra vez pela direita, o Vasco chegou com cruzamento rasteiro de Wagner Diniz, que Jorge Luiz recebeu e, apenas com Fábio Costa a sua frente, não conseguiu fazer o gol, parando no goleiro santista. O zagueiro vascaíno ainda teve o rebote, mas parou no camisa 1 do Santos outra vez.

Aos 17 minutos, Mádson recebeu cruzamento da esquerda, dominou com estilo e bateu com força, mas o chute foi para fora. 

Mesmo com o ímpeto do time da casa, o Santos ainda buscava levar perigo ao gol do Vasco explorando o faro de gol de Kleber Pereira. Além disso, tentava responder, com contra-ataques, às ofensivas do Vasco na esquerda de sua defesa atacando pelos espaços deixados pelo time vascaíno no setor. 

O problema é que o Vasco mal deixava o adversário pensar, sempre mostrando vontade. Achegada de Mádson pela direita era freqüente na partida. Em uma delas Leandro Amaral, aos 27 minutos, recebeu bom cruzamento, mas o goleiro Fábio Costa antecipou a jogada e afastou a bola, mas não conseguiu evitar duro choque com o atacante do Vasco. Pior para o goleiro, que sentiu o joelho e teve de ser atendido pelos médicos. 

O Vasco continuava melhor com grandes lances pela direita, mas o Santos chegava com velocidade e tentava levar perigo no contra-ataque, já que o time vascaíno se lançava completamente ao ataque, apressado pela torcida.

Aos 41, Leandro Amaral ia recebendo a bola livre para cabecear quando, inesperadamente, foi atrapalhado por Rodrigo Antônio, companheiro de time, que cabeceou totalmente sem direção. 

O Santos não conseguia mais levar perigo ao gol do Vasco, com suas jogadas sendo desarmadas pela, ainda que atrapalhada, sempre atenta defesa do time vascaíno.

Mesmo com o esforço do time em campo, a torcida vascaína não perdoou e vaiou os jogadores graças ao empate que resistia no placar ao fim do primeiro tempo. 

Após o intervalo, o Vasco voltou com velocidade e disposição, sendo encorajado pela torcida que o apoiava.

Com menos de um minuto, Leandro Amaral se antecipou à zaga santista em cruzamento vindo da esquerda e surgiu na frente do goleiro Fábio Costa, mas acabou chutando fraco e em cima do goleiro santista. O atacante ainda teve o rebote, mas não encontrou ângulo para bater no gol. 

A dupla Leandro Amaral e Wagner Diniz continuava levando perigo ao gol santista. Aos 4 minutos, após belo passe do lateral direito, Leandro recebeu em boa posição, mas bateu apenas na rede pelo lado de fora.

O Vasco sufocava o Santos, que não conseguia responder às boas chegadas do ataque cruzmaltino. Porém, aos 7 minutos, o Santos teve sua primeira grande chance na segunda etapa. Após bom cruzamento de Bida pela esquerda do ataque santista, Molina cabeceou colocado no canto direito do gol de Rafael, que realizou bela defesa.

Com 15, e tendo que vencer a partida, o técnico Renato Gaúcho mudou o esquema do Vasco, que jogava com três zagueiros, e colocou Edmundo no lugar de Odvan. 

A pressa de conseguir o gol deixava o time vascaíno ansioso, o que causou um lance inusitado. Aos 17 minutos, Leandro Amaral botou a bola no corner e, tanta era a pressa, que nem olhou antes de cruzar e acabou chutando a bandeira, e apenas raspando na bola, que acabou voltando para o atacante em lateral.

Mas o momento do Vasco, e de Edmundo, acabaria chegando. Após boa tabela da equipe vascaína, Jonílson foi atropelado na entrada da área e o juiz Elmo Alves Resende Cunha marcou penâlty. Edmundo, que havia entrado havia sido preterido por Renato Gaúcho e acabara de entrar, bateu com categoria e abriu o placar. O Vasco abria a tão sonhada vantagem no placar. 

O Santos partiu para cima tentando reagir, e, aos 30 minutos, Lima, já dentro da área, cortou o zagueiro vascaíno e bateu com força para boa defesa de Rafael, que espalmou. No rebote, Kleber Pereira ainda tentou de cabeça, mas tocou fraco na bola e Rafael, mais uma vez, defendeu com segurança. 

O time da Baixada Santista ainda tentou reagir, com direito a pressão e goleiro na área adversária, mas nada atrapalhou o Vasco, que agora está mais perto do que nunca da Série A de 2009.

5 de nov. de 2008

Flu supera a tempestade

Desta vez não faltou nada. Pelo contrário, na partida em que o Fluminense venceu o Figueirense por 1 a 0 no Orlando Scarpelli, sobrou água e disposição. Com o mesmo trio de arbitragem, mesmas escalações e mesmo tempo de jogo, as equipes não conseguiram mexer placar, apesar do gol corretamente anulado do Figueira aos 48 do segundo tempo.


O temporal que caiu em Florianópolis formou grandes poças e prejudicou a qualidade técnica da partida, mas as duas equipes demonstravam que isso não poderia ser um obstáculo para suas pretensões contra o rebaixamento.

No primeiro bom lance do Figueira, aos 20 minutos, a bola parou em uma poça na entrada da área e sobrou para o chute do jogador do Figueirense que Fernando Henrique defendeu em dois tempos.

Aos 31 minutos a pressão continuava, após bobeira da defesa, Marquinhos lançou Tadeu que cruzou rasteiro para Thiago Silva afastar o perigo que se aproximava. O Figueirense estava melhor na partida, mas o gramado alagado e Thiago Silva seguravam o ímpeto do time da casa.


Com a dificuldade de tocar a bola graças ao péssimo estado do gramado, o Figueirense buscava o jogo aéreo para empatar a partida. Mas foi em bom chute de Gomes a melhor oportunidade do Figueirense no primeiro tempo, aos 44 minutos. O lateral recebeu na entrada da área, preparou e chutou forte a bola que passou próxima ao gol de Fernando Henrique.

No segundo tempo, René tirou Conca e mandou o zagueiro Edcarlos para fortalecer a jogada aérea do tricolor, essencial em um gramado tão castigado pela chuva.

O Figueira continuou melhor no início do segundo tempo, quando, aos 5 minutos, Marquinho quase empatou a partida após linha burra da zaga tricolor, sendo impedido pelo goleiro Fernando Henrique que saiu no pé do meia.

O gramado não ajudava o toque de bola das equipes, que continuavam apelando para bolas alçadas na área do adversário. Mas o primeiro bom lance do Fluminense na segunda etapa veio só aos 14 minutos, em bom lance de Everton Santos que driblou o zagueiro na lateral e bateu por cima do gol de Wilson.

O bom momento tricolor continuou em boa jogada criada por Arouca, aos 20 minutos. O volante, que jogava com bastante liberdade dada por René, puxou bom contra-ataque e cruzou rasteiro para Washigton livre na frente do gol que se enrolou e acabou tendo que rolar para Júnior César após demorar a concluir a jogada. Júnior César recebeu em boa condição, mas chutou bem acima do gol de Wilson. 

Mesmo com a pressão do time catarinense em bolas alçadas na área do Fluminense, foi o tricolor carioca que quase marcou. Aos 28, Washigton quase conseguiu ampliar depois de uma péssima saída de Wilson na entrada da área em bola lançada para o ataque. O time carioca era pressionado, mas era mais objetivo e perigoso nos contra-ataques.

A tônica do jogo continuou desta forma, com o Figueira pressionando e o Fluminense se esforçando para manter o placar e ameaçando nos contra-ataques. O torcedor tricolor ainda levou um susto antes do apito final, mas o gol do Figueirense, aos 48 minutos, foi bem anulado.

Bom para o Fluminense, que deixa a zona de rebaixamento por ao fim dessa rodada e agora enfrenta o Cruzeiro no próximo domingo, no Mineirão.

 

24 de out. de 2008

Vamos brincar nessa reta final de campeonato!


Renato Gaúcho já profetizava, quando ainda naquele time colorido. Agora é o momento da Caravela deslanchar de vez, 3 jogos no Rio (Atlético/PR, Flu, Santos). A torcida, como não podia ser diferente, está ao lado do time, que saiu aplaudido do Maraca no último domingo.

Naquele instante, mesmo sendo derrotado pelo maior rival, na última colocação do campeonato, a situação começava a mudar. O empate, cedido ao Sport, doeu, porém já evidenciava o novo panorama. A grandeza adormecida se fazia presente no momento de maior necessidade.

Goiás, líder do returno, 8 jogos invictos (5 V e 3 E). Vasco, maior sequência sem vitórias em sua história no Campeonato Brasileiro (7 D e 2 E). A matemática e seus números frios apontam quase 80% de chances de rebaixamento para o Gigante da Colina, em goiânia outro eminente fracasso.

Difícil calcular o quão pesa a volta de um velho ídolo, 10 anos mais velho. Complicado atribuir a melhora no setor defensivo a um zagueiro pesado, formado e escorraçado na Gávea. Assim como encarregar a armação do ataque a um garoto de 1,60 m em parceria com um menino que recém chegou a maioridade, pulou a categoria júnior, reprovado no estúpido exame teórico do DETRAN para primeira habilitação. Tudo isso, talvez, na maior crise de certamente um dos maiores clubes. Felizmente a lógica matemática passa longe do futebol, o que em muito lhe acarreta em interesse.

O jogo. O esquema com 3 zagueiros foi confirmado, mesmo sem a qualidade dos 3 confirmada. Edmundo reassumiu a vaga de Alan Kardec. Como um autêntico pivô flutuava pela intermediária esmeraldina, prendia os zagueiros e distribuía a bola no campo de ataque. Uma atuação digna de um fora de série, veterano é verdade. Quando Mateus - muito boa atuação, saindo pro jogo, sofreu um pênalti ignorado pela arbitragem, um volante no estilo que o time de Dunga precisa - achou espaço, de frente para o gol adversário, não titubeou e mandou um um balaço de canhota, no rebote ele, em breves segundos, balançou as redes pela 151 em campeonatos brasileiros.



Um despretensioso lateral resultou em bela arrancada de Alex Teixeira, 2X0, difícil finalização da promessa, que no fim da temporada passa a mostrar confiança. O estranho Valmir vacilou, pênalti desnecessário, 2X1. A importante vitória é ameaçada, a boa atuação é mais uma vez comprometida por uma falha individual. O coração vascaíno bate depressa.

Segundo tempo. O jogo já não é tão favorável, o Goiás volta melhor. Antes dos 10 minutos, mais uma vez Valmir dá mole, sai jogando errado, cruzamento na área e o bom Iarley empata. "Puta que pariu, tá tudo dando mesmo errado, Leandro de fora por causa do Odvan, 2 meses sem vitória, Edmundo e Leandro já perderam pontos no Cartola por terem levado gol, derrotas em casa para times horrosos, desse ano não passa o rebaixamento tão presente entre 2002 e 2004".


Mais uma vez surge o imponderável, tão presente no futebol, que diferencia os homens dos meninos (ótimo clichê!). Jorge Luiz sai em mais uma pavorosa arrancada ao ataque, manda uma bola quadrada pra Edmundo. Sozinho ele prende a bola, aguarda a chegada daquele que no domingo fez um gol pelo Obina. Jorge Luiz recebe de frente para a meta adversária - "filha da puta, solta essa bola que tu é ridículo, não vai isolar" - e num momento de rara sabedoria toca para Mádson, capenga pela direita. O baixinho chuta com a perna desfavorecida, a bola desvia em um velho conhecido, Henrique, - cria do Vasco, que em 2004, na penúltima rodada fez o gol do 1x0 sobre o Atlético/PR, decidindo o Campeonato Brasileiro em favor do Santos, livrando o Vasco da possibilidade de rebaixamento - passando por debaixo das pernas do goleiro, 3X2, 2 minutos após o empate.


Para finalizar, 5 minutos mais tarde Edmundo é agarrado na área, dessa vez não teve como Gaciba não assinalar a penalidade máxima. Pênalti, decisão, Edmundo. Bola no ângulo, gol 152. Estranhamente ela tocou a rede e voltou com força, Mádson estufou as redes para não deixar dúvidas de que a noite era vascaína, 4X2. Para fechar com chave-de-ouro, aos 18, Jonílson, o muso do brasileirão, desarmou o ataque goiano, vibrou com intensidade batendo no peito. Por um instante me veio a lembrança do reizinho da colina na final da Copa Mercosul no Palestra Itália.



Tomara que essa vitória seja um marco. Tomara que o ex-presidente não precise acabar com a vida do atual. Tenho a certeza de que somos muito grande. O Vasco é o time da virada.

22 de out. de 2008

Me engana que eu (não) gosto...

Voldemort vai te pegar

O clássico contra o Vasco era a oportunidade perfeita para que o Fla recuperasse a confiança do torcedor e voltasse à briga pelo título. Bastaria enfrentar um rival retalhado por desfalques, devastado psicologicamente e desesperado na lanterna. Além de tudo, os rivais à frente da tabela teriam jogos difíceis e a probabilidade de perderem pontos era grande. Bom, a vitória veio, os rivais tropeçaram, mas o principal não aconteceu: o Flamengo voltou a jogar mal, muito mal, mal mesmo. E, apesar de agora estar a apenas quatro pontos do líder, não inspira a mínima confiança numa arrancada rumo ao hexa.

Este blogueiro-torcedor achava que a vitória heróica contra o Sport poderia ser a virada, o marco para uma mudança de atitude, dadas as condições daquele jogo. Ledo engano. Depois, a equipe jogou para o gasto contra o Náutico e deu vexame contra o Atlético-MG. Vale lembrar que, antes, já havia jogado mal contra o Ipatinga e o São Paulo. Assim, caros dois leitores do Ecos, a última boa partida do Flamengo ocorreu há 48 dias, na vitória contra o frágil Figueirense.

Essa retrospectiva tem o intuito de mostrar que, mesmo colado nos líderes, o Flamengo ainda não mostrou um futebol convincente e merecedor de título ou Libertadores. Afinal, qual o problema do time? Há uma clara insegurança no técnico Caio Júnior, alguns boatos insistentes sobre um possível clima ruim entre jogadores e treinador, além da famigerada questão do entrosamento e da má fase de alguns jogadores importantes(leia-se Ibson).

Como dá para ver, a questão passa toda pelo pequeno Harry Potter. Ele não consegue dar um padrão tático ao time, oscila entre um meio-campo de volantes e outro sem cães de guarda e cisma que Marcelinho Paraíba não pode jogar no meio. O resultado? Um atacante sempre isolado na frente, porque o meia de cabelo rubro-negro tem como padrão recuar para armar o jogo. Culpa do Obina, do Vandinho, do Josiel? Tirando o artilheiro do Brasileirão-07, que é ruim demais, não. Some isso a um cerceamento dos laterais - Léo Moura passou uma época atuando como lateral de verdade, e não ala - e você terá um time engessado, sem velocidade e sem capacidade de roubar a bola, algo que fez muita diferença naquele bom começo de campeonato.

Outra questão é a dos reforços. De todos, apenas o supracitado Marcelinho Paraíba vingou. Josiel e Eltinho são uma piada de péssimo gosto, Vandinho mostra potencial, mas é prejudicado pelo esquema tático, e Fierro vem sendo subutilizado, assim como os desconhecidos Fernandinho e Fernandão - que sequer estrearam. Sambueza mostrou bom toque de bola, mas ainda não teve chance de iniciar uma partida, enquanto Éverton é jovem promissor, mas ainda oscila muito. Resumindo, o elenco não teve um grande acréscimo de qualidade, e sim de quantidade. E olha que ficou sem reserva para a lateral esquerda, justo no momento em que Juan passou a ser convocado para a Seleção.

Expostos os problemas, é simples ver que o Flamengo depende de uma maturação da equipe que precisa acontecer o mais rápido possível, para que os objetivos traçados sejam alcançados. Jogando o futebol atual, sem definição, sem imaginação, a equipe vai morrer pelo caminho, até porque seus rivais, se também não são brilhantes - o que mostra o nível do Brasileiro - têm mostrado bem mais consistência nessa reta final. Vale lembrar que o Fla ainda tem dois confrontos diretos contra esses rivais, ou seja, precisa achar logo devolver ao time um equilíbrio que possibilite atuações melhores e, conseqüentemente, resultados. Atuações ruins podem converter-se em vitórias, contra times mais fracos, mas contra os líderes será preciso mais, muito mais, mais mesmo.

21 de out. de 2008

E o esquema?

Corre que tem boi na linha!



- Fala, p’cêro
- Fala, rapá
- Aí, ta ligado que a Med-uni tá oferecendo um strogonoff pra trazer uns bagulho aí?
- É, rapá, to ligado nesse bagulho sim. Pô, o Tonshinwa perde gol pra caceta!
- Tá enrolado esse baseado, mas esse strogonoff vale a pena. É pra trazer um tal de Cielo, acho que é aquele maluco lá que dá umas nadadas.
- É, mas tem uns outros boi também. Só sei que o Dodô não se encaixou nessa parada do strogonoff, maluco vazou.
- Ta maluco, rapá? Come que tu sai falando o nome do cara assim?
- Porra, foi mal, é que se inverter o nome dele dá no mesmo!
- Então fica ligado nessa porra, mane! Já faturamo muito strogonoff com os Agothis, o Vesne e o Vasil.
- Já é então, cara, é nóis.
- Vamo entregar esse bagulho agora, sapinhooooo!
- Beijão!


Sou um jornalista blogueiro de muito prestígio no meio jornalístico-blogueiro, então venho usar esse espaço para divulgar mais uma das artimanhas desse futebol brasileiro que a cada dia nos decepciona e nos prega uma nova peça. Segundo minha fonte confiável vinda diretamente da cozinha do Fluminense, venho tornar público esse esquema absurdo de compra, venda e criação de jogadores, o esquema do strogonoff. E, devido à minha seriedade, não tenho medo de falar. Porque eu, Renato Maurício Prado, o Canhoto, não me escondo por trás dessa alcunha para falar a verdade. Podem vir cobrar de mim, dou a cara a tapa.

Bom, toda essa baboseira retórica é que foi uma artimanha. É apenas uma introdução para destilar aquilo que passa pela minha cabeça quando penso em Fluminense e Vasco na zona de rebaixamento: foi tanta merda feita que parece existir um esquema para que os dois caiam. E não é aquele esquema que “todo mundo sabe”, é algo de forças maiores, forças internas, que não parecem muito preocupadas com o final desse esquema dentro de seus próprios clubes.

A história da dupla carioca me faz lembrar um outro rebaixamento duplo: o de Palmeiras e Botafogo, em 2002. Foi um descenso pioneiro! Depois daquilo, virou moda cair para a segunda divisão. Porém, nada foi (é) tão parecido quanto o caso desse ano. Fluminense e Vasco representam, respectivamente, a repetição do caso de palmeirenses e botafoguenses naquele fatídico ano, ano esse que me arrisco a dizer que foi o pior do futebol brasileiro, horroroso, terrível, mesmo com o título mundial da Seleção e o brasileiro do Santos de Robinho, Diego e André Luís(!). Lembro-me muito bem, as rádios não paravam de tocar Linkin Park...

O Fluminense, assim como os porcos, não tem time pra cair. A cada rodada, esperava-se que o time iniciasse uma arrancada e que a partir daí, ganhasse jogos com alguma calma e se salvasse da situação sem mais drama. Porém, as rodadas foram passando e o time foi dando vários moles seguidos, culminando sua tragédia num Barradão ensolarado só para os baianos, porque para os palmeirenses o placar de 4 a 3 representou na verdade o ato de arder no mármore do inferno.
Os tricolores abusam(ram) do direito de dar moles. Confesso que não entendo muito bem porque seu presidente, Roberto Horcades, é tão massacrado. Já escutei até que ele era culpado pelo grená de um modelo da camisa do Fluminense não ser 100% grená, o que feriria o estatuto tricolor. É claro que quem disponibiliza todo o possível para a Unimed entrar ( espero que tenha sido sensato o suficiente para não disponibilizar coisa demais...) está sujeito a sofrer ataques e ter problemas, mas nunca entendi muito bem. Ah, claro, ele também se aliou a Eurico na eleição da FERJ, isso foi escroto. Que maluco escroto!

Sendo mais específico, Horcades, Gaúcho e sua trupe colorida foram muito amadores nesse ano de 2008. Havia um objetivo claro: conquistar a Libertadores. Construiu-se um vestiário escrotizado, o que poderia ter passado em branco com o título. Construiu-se uma autoconfiança exagerada, o que poderia ter passado em branco com o título. Como o título não veio, não se procurou contornar esses problemas, e preferiu-se seguir o axioma renatogaúchês: “Vamos brincar”. Todo mundo achou que era só colocar o Winning Eleven no Easy que podia até dar carrinho no goleiro que não ia acontecer nada. Ainda acho que o Flu se salva, mas em 2002 também achavam que o Palmeiras ia se safar...Isso sem contar as trocas de treinadores e contratações bizarras (uma delas explanada no esquema do strogonoff). CIEL, CIEL, CIEL.
Foto do arquivo de família

Já os cruzmaltinos assemelham-se ao Botafogo, ou seja, um time horroroso que tinha que cair mesmo, com uma administração tosca, que foi fazendo o time cair aos poucos. Aliás, o meu Glorioso, que em 2002 esteve longe de ser Glorioso (velhos tempos de Nenzão, Esquerdinha e Ademílson), serve de base para uma comparação curiosa entre as duas gerações de rebaixáveis. Se Dodô engrossava as fileiras do Palmeiras em 2002 e do Flu esse ano, ODVAN, ODVAN, ODVAN enriqueceu o QI dos times de Botafogo, àquela época e Vasco, hoje em dia. Talvez seja só um sinal.

Mas enfim, a herança euriqueira no Vasco parece ter ficado entranhada no clube. A rivalidade com o Fla já não é mais a mesma, nem mais vice eles são(eu sei como é isso...). O jejum de títulos e jogadores decentes é longo, a ponto de SOUZA, SOUZA, SOUZA ter sido o herói do último título vascaíno. Assim que se iniciou o ano de 2008, previram-se problemas para o Vasco, mas este até que se equilibrou no chove-não-molha até o meio do ano, mas a partir da metade do Campeonato Brasileiro, o seu não-talento ficou evidente e, somado a turbulências políticas, deixou a situação futebolística do clube muito complicada.

Se Nenzão era a razão de meus pesadelos naquele famigerado ano, veja se o diálogo a seguir não seria realmente verossímil:
- Aí, rapá, o ambiente aqui ta todo esfumaçado, cara...
- Sinto o passarinho verde e amarelo repousando no submarino que atravessa a costa, ta ligado?
- É, com marujos defenestrados por Deus, cara...
- Aí, sabe o que eu tava pensando? Vamo contratar o Odvan, o Fernando?
- Caraaaaaaalho, meu! Tu é da pesada! Dos meus! Já tava sentindo essa química entre a gente. Esse baseado é do caralho!
Talvez quem comanda por aquelas bandas tenha se exaltado com o filmaço “Pineapple Express” (ou “Segurando as Pontas”):

Some-se esses dois medalhões aos já escrotizantes Jorge Luís, Vílson e outros inúmeros garotos postos na fogueira e terás um resultado mais bizarro do que aquelas montagens do Chaves em que o Seu Barriga e o Nhonho apareciam na mesma cena.

Bom, baseados e strogonoffs à parte, eu, embora carioca, não torço para o rebaixamento de tais times. Não é porque eles não ganharam nenhuma vez do meu esse ano. É porque eu sei como é ruim ir parar na UTI por causa de maus modos/comida estragada.


REBAIXAMENTO, REBAIXAMENTO, REBAIXAMENTO (mensagem subliminar espalhada ao longo do texto).

18 de out. de 2008

No Surprises

"Eres una cambada de huetários"


A capa de domingo do jornal Marca, da Espanha (para quem não sabe, na Espanha a essa hora todos já viraram a night boêmia de Ibiza regada a muitos seios e glúteos e estão no sono de domingão) diz: “La Vida Sigue Igual”. É uma referência à vitória de 2 a 1 do Real Madrid sobre o Atlético, no dérbi local, e a conseqüente manutenção do tabu diante do adversário, que chegou à marca de quatorze clássicos seguidos sem vitória dos colchoneros. Mas poderia muito bem ser uma alfinetada na situação do Botafogo, tendo em vista suas últimas temporadas.





A rotina já é manjada: encantar no Carioca e perder para o Flamengo na final, ficar na semi-final da Copa do Brasil para um time medíocre e criar expectativas no Brasileiro, terminando com o prêmio de disputar a Copa Sul-Americana do ano seguinte. Não há mais surpresas, como diz Thom Yorke, e o que acaba restando ao torcedor é resignar-se diante da melancolia da vida. Tá, não é pra tanto, mas não venham me dizer que o título da competição internacional vai representar algum marco na trajetória do clube.

Os torcedores vamos, ano a ano, acreditando que as coisas mudarão, que a marra dos flamenguistas vai se desfazer assim como o Triguinho se desfaz da bola. Surgem ídolos instantâneos que, sem precisar fazer muito, são alçados a essa condição e contestados no momento seguinte. Justiça seja feita também: no fim das contas, bem ou mal, a cornetagem acaba ficando diluída e ganhando um pouco de razão, haja vista os resultados obtidos ao final da temporada.

O nível de xingamentos e atribuições de culpa nos gols a Castillo é tão absurdo que faz parecer que o uruguaio é o alterego de Dunga, Lúcio Flávio é mais desanimado do que o Biriba(ou Biruta, os dois são brochantes), Alessandro e Triguinho têm cabeças que representariam de forma muito clara os Conjuntos Vazios que a gente via todo ano no colégio em Matemática. Bebeto de Freitas e companhia são tão bonzinhos, mas tão bonzinhos, que acabam só se fudendo. Tendo em vista esse panorama, ano a ano ficamos nesse rame-rame, taxados de chorões, afinal vamos nos orgulhar do quê?

Thom Yorke se preparando para fazer o triângulo da Fúria

Não é uma desistência, é só uma exposição de uma realidade que se repete constantemente, e que acaba não sendo combatida. Ir do título para a Libertadores e da Libertadores para a Sul-Americana faz pensar se as coisas têm sido bem feitas. É melhor do que brigar para não cair, mas é evidente que se tem (teria) condições de traçar planos mais ousados. É entrar na fila pra comprar o disco novo do Strokes e ele acabar antes de chegar a sua vez. A atendente te oferece o novíssimo do Kaiser Chiefs e você responde : “Ah, tudo bem, pode ser.” Não é ruim, mas fica a sensação de que você mais perdeu do que ganhou.

Sendo assim, tudo que a torcida quer é uma nova cor ao seu cotidiano, pois não está na sua repetição o problema. Você não vai encontrar o Bernardinho e escutar dele: “Que tédio, não agüento mais ganhar, vou praticar bocha”. A vitória é a repetição que não enjoa. É muito pouco palpável essa dignidade, esse orgulho de ser botafoguense, se ele cai na mesmice do ser por ser.

Apesar de tudo isso, a melancolia radioheadiana não leva a situação(ou a oposição) para a frente. Talvez seja necessário escutar algo como isso...



PS: Sim, o texto só pretende desabafar, não cobre conclusões dele.

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Desafogue-se você também.

17 de out. de 2008

Murphy bem que avisou

Prefácio: Esse texto teve a sua versão original modificada. Por motivos de segurança, profissionais, familiares e para tentar dar mais credibilidade ao “Ecos do Maraca” ( se é que ele ainda não tem), foi retirada parte da passionalidade na qual as palavras estavam mergulhadas, principalmente porque foram escritas algumas horas depois do fatidico episódio. Além disso, a aplicação da racionalidade, em muitas vezes, serve para esconder ou amenizar feridas emocionais, tão profundas e reveladoras, como a aberta na noite de ontem. Como vascaíno apaixonado por futebol, ainda me restam poucas alegrias. Vamos em frente.

A gente veste a camisa, enfrenta o Metrô lotado, finge que não vê o Ricardo Teixeira ficando mais podre de rico, se ilude com a partida contra a Venezuela, tudo para manter o sonho de ser mais feliz por alguns instantes. Afinal de contas, o futebol é o ópio do povo. Porém, mais uma vez, a seleção brasileira de futebol aprontou uma das suas. Depois do jogo, as fichas caem: " Nada está tão ruim que não possa piorar." e "Se alguma coisa pode dar errado, dará. E dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível".


O Brasil repetiu a mesma atuação do que contra a Bolívia (talvez pior) e novamente deixou o carioca irado. Quem enfrentou a fila nas Saraivas, nas Laranjeiras e nas bilheterias do Maracanã se arrependeu amargamente. Até o cachorro-quente vendido no estádio ficou com gosto de jiló com aspargo. O Brasil criou no máximo três razoáveis oportunidades de gol, e olhe lá. Foi previsível. Uma atuação pífia, horrorosa, ridícula, tenebrosa, (sem)vergonho(sa), lamentável, da maioria dos jogadores, exceto Júlio César, Lúcio e Juan.

A Colômbia merecia ter vencido o jogo. Foi mais incisiva, ativa e empolgante. O problema é que eles são muito ruins. Muito mesmo. Não comentarei os lances da partida, pois estou tentando apagá-la da minha memória. Para sempre.

Não se faz aqui uma super campanha anti-Dunga ou algo parecido, por mais tentador que isso possa ser. Não sou eu quem vou assumir o cargo, então não importa muito quem vá a ser. A questão é que ele não tem nem experiência e nem qualidade para comandar a Seleção. Sua leitura de jogo não existe. O time não possui uma organização tática. Para Dunga, sobra no máximo uma função de auxiliar de motivação no intervalo.


Primeiro, o ataque: A Colômbia não jogou na retranca, muito pelo contrário, sua marcação estava adiantada. O que ela fez foi reduzir o espaço entre a defesa e o meio-de-campo, criando assim um bloco de oito jogadores. Nessa situação, o ideal é abrir bem o jogo pelas pontas, quase nas linhas laterais, aproveitar a "Linha Burra" dos quatro últimos colombianos, enfiando as bolas nas costas (ui!) do adversário, ou trocar passes rápidos pelo meio, para que o sólido se desfaça. Mas nenhuma dessas opções estava no cardápio brasileiro. Os laterais não chegaram até a linha de fundo, o meio-de-campo andava, Kaká e Robinho não jogaram nada e Jô não se achou em campo. Não agrada, nunca agradou. A lista de possíveis substitutos é gigante.


O Triângulo das Bermudas (Elano, Josué e Gilberto Silva) foi mais burocrático do que processo de votação de lei no plenário. Aliás, o caminho sombrio para o empate tosco já estava trilhado, nós é que demoramos para perceber: Elano era o cobrador oficial de faltas. Esse último, colocado em campo para ser um meia, ou até uma válvula de escape pela direita, não foi bem. Com Dunga, a Seleção Brasileira não sabe se impor, só joga no contra-ataque.


Agora falando de defesa: O Brasil não pressionou a Colômbia. A Seleção só marcou meio-campo. Se acovardou perante os nada perigosos colombianos. Enfim, se portou como pequena, não apertou a saída de bola, deixou o adversário trocar passes tranqüilamente, como se estivesse no aquecimento.

O problema, portanto, vai do faraó ao escravo maneta que é convocado para construir a pirâmide. O cenário começou a ser montado pela CBF, com a babaquice de premiar Robinho e Kaká (não discute-se a premiação em si). Isso tira o foco do jogador. Depois veio Dunga. Escalou mal, treinou pior ainda, foi apático à beira do campo e não conseguiu corrigir as falhas do time. Além disso, ele não consegue aproveitar a ofensividade característica de Kléber (que fase!) e Maicon. Com isso já preparado, só faltava a cereja no topo. Os atletas não mostraram empenho, criatividade e principalmente qualidade. A movimentação necessária não aconteceu. Alguns deles pareceram perdidos, desacreditados de seu próprio potencial. Cansaço? Então pede pra sair! Pede pra sair! Pede pra sair!!


Nem mesmo Kaká, que muitos dizem saber muito bem “ler o jogo”, ficou perdido, não buscou o jogo pelo meio, atuou mais como um atacante. Depois da partida, foi buscar explicações não sei aonde.


Não adianta reclamar da torcida. Ouviu, Anderson?? Ninguém aplaude um espetáculo de “penta” categoria. Só resta ao torcedor vaiar. Vaias essas que, cada vez mais rápido, se transformam em bombas-relógio, capazes de serem detonadas a qualquer momento. Não me recordo qual foi o cabeça-de-bagre que soltou a seguinte pérola: “O que importa é a tabela de classificação”. Vai pensando assim, vai. Pois é. Pelo jeito, o pragmatismo e a mediocridade reinam soberanos. Rei e Rainha, de mãos dadas, levando o futebol brasileiro para um buraco-negro.

O pior, para quem tanto se vangloriava de ter a melhor Seleção do mundo, é constatar que não somos mais isso. Longe disso. Ganhamos a Copa América porque o Robinho jogou muito e porque aplicamos belos contra-ataques na Argentina. Desde o desastre de 2006, o Brasil se distanciou do trono de melhor seleção. Podemos até ter ótimos jogadores, mas existem ao mesmo tempo problemas simples e complexos que vem desde a Copa atrapalhando a construção de uma equipe de qualidade. Falta dedicação, falta qualidade, tempo, dinheiro, alegria, identificação, esperança, arte, raça, transparência, falta tudo. Menos decepções. Para estas, sempre haverá espaço, não é?


Mais Seleção, graças a Deus, só ano que vem.

15 de out. de 2008

Tioria do Indefinimento


Ninguém é de ninguém



Ou talvez o Manifesto de Exaltação ao Jogador Medíocre.


Essa teoria vem concorrer para a visão perturbadora de que o futebol não é só um espetáculo, é uma competição. Ser uma competição é ter envolvido não só a apreciação e degustação do fantástico, mas também a disputa, o acirramento, a glória suada. É quase um slogan da ditadura. Em outras palavras, é uma ode ao imprevisível, que dá as caras como em nenhum outro esporte e torna a competitividade um atrativo a mais.

Algumas coisas devem ser ditas. Desde 1971, curiosamente os Campeonatos Brasileiros em vigência são sempre os piores de todos os tempos. Fico imaginando cruzeirenses saindo às ruas no ano de criação do certame e desmerecendo o título do galo, pois aquele era “o pior campeão brasileiro de todos os tempos”. Criou-se uma lenda de que o futebol tende somente a decrescer em qualidade (o que é óbvio, até), mas que essa qualidade não só diminuiu como sumiu. Fala-se tanto em campeonatos estrangeiros, abarrotados de craques brasileiros, argentinos, franceses, búlgaros e panamenhos, como se a plantation de jogadores de futebol viesse com carimbo de qualidade. Assista a Avaí x Vila Nova e depois a Inter de Milão x Juventus e depois venha me dizer o que achou. Naturalmente, o segundo é um trilhão de vezes superior.

Se a qualidade sumiu e as poucas esperanças foram para a Europa, então, que tal abolir a liga (liga?) atual? Afinal, este é o pior campeonato de todos os tempos, e o campeão que virá a ser proclamado será o pior de todos, pior do que o último que havia sido o pior até o ano passado.

É claro que é muito difícil se convencer que um time treinado por Celso Roth possa ser campeão de qualquer coisa, mas onde está o valor de um campeonato onde até sete, oito ou nove times podem conquistar o título com nove rodadas por jogar? Se o futebol está criando surpresas mundo afora, o nosso campeonato é praticamente um caso de a surpresa ser não haver surpresas. E como isso o torna uma disputa totalmente inenarrável.

É a exacerbação da teoria da caixinha de surpresas. É como uma prova de Sistemas de Informação: tudo pode acontecer. Você pode se julgar super-preparado e brochar com a nota, ou pode viajar pro Caribe e mandar bem. O Renato Silva pode entregar o ouro num jogo e fazer um gol de voleio e entregar o ouro no outro jogo também. Nunca se sabe.


Aí vem o Zárate, Zárate, Zárate!

E nem só de exemplos escrotos como esse vive a tioria do indefinimento: nosso amigo-foca Zárate provou o sabor dos dois lados em curto espaço de tempo, a ponto de se duvidar claramente do fato de um gol do Botafogo ter sido marcado por ele. Ah, ele é atacante.

Quer outro exemplo? Que tal um time que é declamado desde o início como hiper-favorito, que tem as maiores estrelas, brasileiros e estrangeiros, mas que está na honrosa décima posição? Vão aí duas peripécias desse mesmo time, coisas coerentes como perder para o lanterna e golear o líder. E olha que teve muito mais durante o campeonato.





Isso vem para depor contra os teóricos do espetáculo e do desmerecimento. É melhor ter dez times disputando um título e deixando tudo indefinido do que ter dois ou três e bajular toda e qualquer jogada que um jogador-lindo-gostoso-promissor-forte-jovem-que-joga-na-Inter-de-Milão-e-come-a-Scarlett Johansson faz. Mas não é uma exaltação ao Brasil.

Afinal, esse texto rocambolesco todo era só pra dizer que a Colômbia vai ganhar do Brasil amanhã.