14 de jun de 2010

A Copa da Culpa

Max está no nível dos goleiros da Inglaterra

É comum ver os comentaristas/pitaqueiros por aí, na TV, no Orkut ou no Twitter, xingando muito os jogadores e apontando quem falhou para que um gol fosse sofrido. Acontece que nada aconteceria no futebol se não fossem as falhas. Imaginem: todos perfeitos, ninguém cometendo erros, até que teríamos de recorrer à justiça divina para decidir o vencedor. O que eu quero dizer com isso? Bom, às vezes os gols acontecem por um lance de talento que não foi combatido à altura, não necessariamente houve uma falha clara. Maaaas....existem casos em que o gol só se deu devido a uma falha específica e clamorosa. Às vezes, essa falha é geral, como uma linha de impedimento errada ou uma defesa esburacada. Mas quando essa falha é individual, haja saliva e caracteres no Twitter para se despejar as críticas aos incompetentes coitados. Os culpados.

Neste começo de Copa, o número relativamente grande de erros individuais que decidiram os (toscos) jogos tem me chamado a atenção. Ouso dizer que até agora essa é a Copa da Culpa. Muitos jogadores nem devem ter dormido tamanhas suas besteiras, pensando na culpa que carregam pelos resultados desfavoráveis. Algum matemático de plantão pode aparecer a qualquer instante me desmentindo e dizendo que na Copa de 34 houve sete frangos, três furadas e quatro escorregões que decidiram jogos. Outros podem dizer que nada se compara à culpa sentida pelo colombiano Escobar, em 94(quem o matou não deve sentir culpa). Mas não estou nem aí. Ou alguém vai dizer que não tem muita gente fazendo merda nessa Copa?

Eis as pixotadas:

Inglaterra 1 x 1 EUA : O chute de Dempsey foi despretensioso, tão escroto que o goleiro Green nem se preparou direito para defender. No fim das contas, o resultado foi brown pros ingleses, que só foram brancos e clássicos no uniforme, porque a qualidade do futebol foi black como o Heskey.

Argélia 0 x 1 Eslovênia : Primeiro, o atacante e pensador Ghezzal, usando a lógica do “Copa do Mundo é pelada” esticou o braço pensando que arrancaria gargalhadas dos peladeiros. Como não é bem assim, ele, que já tinha amarelo, foi expulso. Com um a mais, a Eslovênia, meio que por obrigação, foi à frente e no chute de Koren, o goleiro Chaouchicha pensou que poderia encaixar uma bola em diagonal. Gol dos eslovenos e derrota sob os olhares de Zidane. Essa falha foi menos feia que a do Green, mas pelo menos o gol que o inglês tomou foi incompetência somada ao azar, enquanto o argelino foi o único culpado pelo gol sofrido.

Sérvia 0 x 1 Gana: Tudo ia bem, quer dizer, mal, jogo horrendo, quando, seguindo a teoria do pensador Ghezzal, cujo axioma você já leu no último parágrafo, o esperto Kuzmanovic colocou a mão na área, como se não houvesse câmeras, torcedores nem regras, ou seja, estava em uma pelada. O maluco lá de Gana bateu o pênalti e fez.

Holanda 2 x 0 Dinamarca: Vi mais ou menos 50 segundos desse jogo. Durante esse tempo, a Holanda fez um gol. Quer dizer, ganhou um gol. Poulsen e Agger “tabelaram” dentro da área e marcaram pra Laranja Mecânica. Como eles jogam pela Dinamarca, creio que nenhum deles quer levar a culpa. Na verdade, a culpa é do Poulsen que, dentro da área, cabeceou pro bolo.O Agger só tomou a bola nas costas (rá), nem viu nada. Pior de tudo: o cara ainda saiu rindo.

Mas, pra falar a verdade, isso tudo só mostra uma coisa: a Copa está uma bosta. Jogos arrastados, times sem criatividade, dificuldades absurdas pra fazer um gol. Sim, há bons sistemas de marcação, mas no dia que a marcação sobressair ao ataque não vou fazer uma ode à marcação. Como no basquete, a defesa ganha campeonatos, enquanto o ataque ganha jogos. Mas veja bem: uma coisa complementa a outra, não é um ou outro. Não me chamem de bichinha ou viado, mas eu quero é ver o jogo lindo, da glória, não o da culpa.



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